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quinta-feira, 21 de julho de 2011

A gente faz que não é com a gente, mas é.

A gente faz que não é com a gente que o menino na rua está falando. Isso porque pressentimos que ele vai fazer algo para mexer com nossa sensibilidade. E por isso é melhor dizer logo não. E ao dizer não perdemos alguns gramas mais de sensibilidade, alguns quilos de humanidade. E por perder as duas coisas nos tornamos mais dessemelhante de quem por direito natural é nosso semelhante. E ao perder a semelhança com o humanos criamos laços afetivos com os desumanos – as máquinas e os equipamentos.
A gente faz que não é pra gente que a moça da limpeza está olhando. E por fingirmos que não estamos sendo vistos por ela desenvolvemos certa miopia. Passamos a não ver qualquer “coisa” que nos incomode. E com esse olhar seletivo estamos sempre em busca de pessoas com cara e rosto de espelho. E por isso a moça da limpeza nos sorri, mas como não nos serve como espelho, não temos nada a retribuir a não ser essa monolítica pose de imenso moai da Ilha de Páscoa.
A gente faz que não é com a gente. Mas é nosso nome que  o guarda de trânsito anota em seu bloco de multa. E por assim procedermos ficamos convencidos de que as leis de trânsito foram feitas para apenas para servir às nossas conveniências. E servindo nossas conveniências entendemos que foram feitas para infernizar a vida dos outros. E infernizando a vida dos outros transformamos o planeta num lugar hostil para viver.
A gente faz que não é com a gente que a mulher desgrenhada tenta dizer  alguma coisa ao tempo mesmo em que sacode uma criança de peito. E porque não subtraímos alguns segundos de nosso dia para reparar nesse par de olhos deixamos de nos sentir responsáveis por esse ex-aluno que tantos anos depois irá  irromper em uma sala de aula de escola municipal da zona oeste do Rio.
A gente faz que não é com a gente que os pacifistas e os ecologistas estão bravos, quando teimam em advertir que os recursos naturais do planeta além de escassos são limitados. E por isso continuamos nossa vida de consumo sempre batendo novos recordes. E a cada novo recorde batido o coração do planeta nos responde com uma rateada. E a cada rateada deixamos de sentir que temos cuidado muito do corpo e que continuamos deixando ao relento e ao desamparo essa coisa que atende pelo nome de Alma.
A gente faz que não é com a gente que os tsunamis se levantam na praia. E por isso que ficamos perplexos apenas quando vemos as imagens da devastação. E com a devastação pensamos em como era lindo nosso planeta, esse mesmo lugar que um dia Gagárin disse que além de lindo era todo azul. E como os tsunamis nada têm a ver com a gente as cidades são cada vez mais varridas do mapa e seus habitantes sempre em grandes números completamente submersos. E por isso esperamos, com paciência de Jô, a estatística anual do número de casas que vieram abaixo com a queda dos morros, a quantidade de lares soterrados e os frios números de vidas tragicamente interrompidas.
A gente faz que não é com a gente que aquele sujeito despeja rudes insultos, indizíveis desaforos e  pesados preconceitos com o outro que insiste em praticar o mesmíssimo crime de sempre – o de não partilhar da mesma cor da pele, da mesma fé religiosa, do mesmo alisado do cabelo e do mesmo desenho dos lábios que tanto falam quanto beijam. E por isso deixamos a dignidade humana trancafiada no livro das boas intenções, privada de saudáveis passeios pela rica e diversa paisagem humana. E sem a visão do belo que é o humano deixamos enferrujar a capacidade de amar.
            A gente faz que não é com a gente que alguém reclama por estar jogando na rua garrafainha de água mineral, guardanapo usado, folheto publicitário. E por isso transformamos em lixão a parte do mundo que nosso carro conhece e nossos passos reconhecem. E nessa ignorância toda contaminamos a terra, a água e o ar. E com tudo contaminado ficamos doentes e deixamos o planeta com aquela leve sensação de que já vamos tarde.
A gente faz que não é com a gente aquele corpo estendido no chão. E por isso passamos por ele mais apressados que nunca, atropelando uns aos outros, desesperados por nos afastar o mais rápido possível daquele imagem agora estática, mas que há bem pouco ainda se movia, respirava, sorria, chorava, pensava, sonhava, amava.
A gente faz que não é com a gente que aquele programa de televisão fala, complica, replica, implica. E por isso que ao lhe dar o privilégio de nossa audiência engrossamos o elevado índice de seu baixo nível da programação. E ao fazermos isso mantemos longe do horário nobre qualquer atração que nos garanta um mínimo de cidadania, ética, direitos humanos, virtudes humanas, valores humanos. E assim lamentamos com nossos filhos e nossos amigos que a programação da tevê em canal aberto está mais baixa que uma Gilette deitada, mais rasa pires exposto a temporal, desses que até uma formiga de baixa estatura e de joelhos conseguiria atravessar sem maiores preocupações.
A gente faz que não é com a gente que a pessoa portadora de deficiência pede ajuda. E por isso fechamos a cara, crispamos o semblante e seguimos em frente. E nessa marcha batida deixamos de  perceber que acabamos de nos despedir de um dos sentimentos mais urgentes e mais belos que um humano poderia ter, o sentimento da solidariedade. E com este se despede também aquela compreensão que dispensa palavras, naquela base do “vou ajudar por haver apenas compreendido.”
A gente faz que não é com a gente, mas é.

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O que são Cãebras?

Câimbras noturnas, câimbras nas pernas, banana para câimbras... Saiba por que surgem e como evitar as câimbras. A câimbra ou cãibra é um espasmo ou contração involuntária dos músculos, normalmente muito dolorosa, que pode durar de alguns segundos até vários minutos. A câimbra pode atingir um ou mais músculos de uma vez. Qualquer músculo de controle voluntário pode apresentar essas contrações. Os mais comuns são: - Panturrilhas ou gemelares (batata da perna) - Músculos anteriores e posteriores da coxa - Pés - Mãos - Pescoço - Abdômen. Como evitar as câimbras ? Para se evitar a câimbra deve ser realizada uma boa sessão de alongamento antes e após exercícios, principalmente para sedentários, boa hidratação antes, durante e depois do esforço e evitar exercícios em dias muito quentes. Existe um grupo de pessoas que apresentam câimbras noturnas, principalmente nos membros inferiores (panturrilha e pés em geral). Em geral apresentam a chamada câimbra noturna idiopática (sem causa aparente). São pessoas normalmente com história familiar e que não se consegue detectar nenhum tipo de alteração que justifique o quadro. Nesse grupo, recomenda-se um programa de alongamento 15 minutos antes de dormir, dar preferência para alimentos ricos em cálcio e magnésio, manter uma boa hidratação ao longo do dia e evitar o sedentarismo. Algumas pessoas precisam de sapatos especiais que evitam contrações involuntárias. Os alongamentos parecem ser o melhor método para prevenir câimbras, principalmente quando ocorrem nas pernas. É importante salientar que não vai ser de um dia para o outro que o alongamento trará resultados. É preciso pelo menos algumas semanas com alongamentos diários para o músculo ter mais resistência às contrações involuntárias. Hidratação adequada e alongamentos frequentes, resolvem os problemas das maiorias das pessoas com câimbras idiopáticas, ou seja, aquelas que não são causadas por nenhuma doença específica. O melhor modo de controlar o grau de hidratação do corpo é através da cor da urina. Pessoas desidratadas apresentam urina muito amarelada e normalmente com cheiro forte, enquanto que um corpo hidratado produz urina clara e sem cheiro. Existem alguns medicamentos com vitamina E, complexo B, verapamil, cloroquina e gabapentina que podem ajudar em casos específicos, mas que só devem ser tomados após avaliação médica. Água tônica possui pequenas quantidades de quinina uma substância que também parece prevenir câimbras. Existem relatos de melhora das câimbras noturnas após alguns dias ingerindo água tônica à noite. Doentes em hemodiálise apresentam câimbras frequentemente. A câimbra é um sinal de redução do fluxo sanguíneo para o músculo acometido. Em geral ocorre por retirada (ultrafiltração) em excesso de líquidos durante as sessões ou por doses elevadas de anti hipertensivos. Doente com câimbras que não usam anti hipertensivos devem aumentar seu peso seco (peso após a sessão de hemodiálise). Doentes com câimbras mas que usam remédios para hipertensão, devem suspendê-los ou reduzir a dose, mesmo que a pressão ainda esteja mal controlada. Banana evita câimbras? Essa história da banana é um pouco confusa. A fruta é rica em potássio, carboidratos (glicose) e água. Durante o esforço físico existe uma grande demanda dos músculos por energia (glicose). Depois de algum tempo de exercício o músculo depleta suas reservas de glicose e passa a utilizar outros meios para gerar energia. Uma das causas de câimbras é o acumulo de ácido láctico, que é o "lixo" metabólico após a geração de energia com baixa utilização de glicose. Uma boa hidratação ajuda a "lavar" esse excesso de ácido láctico da circulação e evita as câimbras. Portanto, teoricamente a banana ajuda porque repõe os níveis de potássio, hidrata e fornece energia para os músculos. Isso é verdade para câimbras induzidas por exercício. Porém, esse truque não funciona com muita gente. A resposta parece ser individual, mas como banana não faz mal a ninguém, não custa testar.

A Reflexão no Mundo!

Nunca recebemos tamanha carga de informação como nos dias atuais. O bombardeio informacional passa a ser a principal marca desses primeiros anos do século 21 e a sua principal imagem dificilmente poderia ser outra que não a derrubada das torres do World Trade Center, em Nova York. O atentado ocorreu às 9h25 do dia 11 de setembro de 2001. E assim é porque aquelas imagens correram mundo no momento mesmo em que estavam se esboçando no plano da realidade. É possível que a visualização da impressionante sequência de imagens dos aviões se chocando contras as torres tenha sido mais visualizada que dois outros eventos igualmente marcantes: o assassinato do presidente John F. Kennedy, às 12h30 do dia 22 de novembro de 1963, e o primeiro passo do astronauta americano Neil Armstrong na superfície lunar, às 23 horas, 56 minutos e 20 segundos (horário de Brasília) do dia 20 de julho de 1969. Considero marcantes os três eventos porque poucos são os que fazem as pessoas vasculhar a memória coletiva de nossa época em busca de resposta à questão: “O que você estava fazendo no dia…?” É comum confundirmos o formidável estágio alcançado pelos meios de comunicação como sendo o início de uma Era de Ouro da imprensa. Nada mais falacioso. O que temos atualmente é a repetição das mesmas informações, segundo a segundo, por diversas plataformas comunicacionais – do velho jornal, do velho rádio, da velha TV e da nova internet. Não obstante o fácil acesso à informação, a verdade é que não mais procuramos a notícia; é a notícia que nos encontra. Além dos aparatos descritos, a notícia se encontra ao alcance de nosso aparelho de telefonia celular, de nossos computadores, móveis ou não, e não importa em que formato e tamanho estes se apresentem. Os custos da guerra A maioria dos chamados “escândalos” do fim de semana mal consegue sobrevida por duas ou três semanas. E é assim porque falta apuração, falta análise, falta reflexão sobre os dados apresentados. Há que se perguntar onde foi parar aquela capacidade que os profissionais da imprensa tinham no passado em relacionar diferentes acontecimentos, diferentes personagens, de estabelecer suas relações econômicas, políticas e sociais. É como se o objetivo fosse apenas atender à necessidade da instantaneidade, à velocidade com que o assunto é tornado público. O resto passa a ser mera repercussão. E falta profundidade no que é noticiado. Por exemplo, acompanhamos com facilidade os desdobramentos de guerras no Iraque e no Afeganistão, apenas para ficar em duas, bem contemporâneas, mas somos informados apenas da visão que atende aos interesses imediatos do establishment. E como os custos envolvidos em uma guerra em nada ajudam o chamado “esforço de guerra midiático”, ficamos sem conhecer, por exemplo, o projeto Costs of War, realizado porespecialistas da Universidade Brown, de Rhode Island, Estados Unidos. E o que informa este projeto? “Em termos financeiros, de 3,7 trilhões a 4,4 trilhões de dólares, o dobro do PIB brasileiro e mais que a II Guerra Mundial (4,1 trilhões em moeda de hoje). Em termos humanos, 224 mil a 258 mil mortos (dos quais ao menos 137 mil civis), 620 mil soldados feridos e 7,8 milhões de refugiados. O relatório completo lista ainda custos políticos, sociais e ambientais. A Al-Qaida gastou entre 400 mil e 500 mil dólares e matou 2.995 no atentado de 11 de setembro. Para cada uma de suas vítimas, os EUA fizeram pelo menos 73 e para cada dólar do inimigo gastaram cerca de 10 milhões.” Imprensa partidarizada Este é apenas um dos exemplos. E, mesmo assim, não encontramos especialistas em política internacional fazendo as necessárias conexões entre os custos da guerra e as fontes de seu financiamento. Nessa mesma toada ficamos sem saber qual a relação de tão impressionante volume de recursos financeiros com a ainda muito mal-explicada crise econômica iniciada em 15 de setembro de 2008 com a quebra do banco Lehman Brothers e que continua abalando a economia dos Estados Unidos e de vários países europeus, como Grécia, Espanha e Portugal. Se miramos o flanco brasileiro, logo concluiremos que a tendência a apenas repercutir informações é amplamente majoritária. Vejamos a notícia-sensação de junho de 2011 sobre a chamada “lei do sigilo eterno” dos documentos do governo brasileiro. Na primeira quinzena do mês, tínhamos apenas a repercussão de frases do presidente do Senado, José Sarney, dizendo ser contra a derrubada do sigilo eterno uma vez que determinados documentos sobre as negociações conduzidas pelo barão do Rio Branco (quanto à aquisição do território do Acre junto à Bolívia) e ações do duque de Caxias em meio à Guerra do Paraguai poderiam “reabrir feridas mal-cicatrizadas” e causar “constrangimentos ao Estado brasileiro”. Repercutiu também que o senador Fernando Collor era contrário à derrubada do sigilo eterno. Fato é que somente nos dois últimos dias de junho, não por instigação da imprensa, o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou que assinou a lei em vigor “sem ter lido”, devido “ao grande número de documentos” que demandavam sua assinatura em seu último dia na Presidência. O que a imprensa deixou de fazer? Absolutamente tudo. Poderia ter entrevistado historiadores e especialistas em política internacional para esclarecer à população em que situação se deu a compra do estado do Acre. O mesmo esforço poderia ser direcionado para informar, com base em fontes históricas confiáveis e acima de suspeita, sobre as ações do patrono do exército brasileiro na guerra do Paraguai. O espaço dedicado pela grande imprensa (Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo, O Globo, Veja, Época, Rede Globo etc.) ao tema foi inteiramente focado na questão partidária – ou seja, em como melhor acomodar o assunto no colo da presidenta Dilma Rousseff e no de seus aliados no Congresso Nacional.

Doação de órgãos: o que leva uma família a dizer 'não'?

A Gazeta do Povo de hoje publica uma matéria que traz números preocupantes: em 10 anos, de 2001 a 2010, ao menos 14,3 mil transplantes deixaram de ser realizados no Brasil. Esse número corresponde ao total de famílias que nesse período se negaram a autorizar a doação de órgãos de um parente que teve morte encefálica. Levando-se em conta que uma doação pode resultar, em média, em cinco transplantes, o número de procedimentos não realizados pode chegar a 70 mil. E por que tantos "nãos" foram ditos num país onde o sistema de transplante é exemplar, e num momento em que a ação é cada vez mais valorizada? De acordo com especialistas, são vários os motivos: desconhecimento da vontade do parente falecido, falta de conhecimento sobre o que é a morte encefálica (a doação só pode ser feita após seu diagnóstico), ausência de diálogo entre médicos e os familiares e até a precariedade do sistema público de saúde. Entre esses vários fatores, um chama a atenção: o desconhecimento em relação ao que pensam nossos pais, irmãos, tios, avós e outros parentes a respeito da doação. Certamente, o tema é delicado, e pouco agradável. Essa falta de comunicação, no entanto, tem consequências para um país onde quase 50 mil pessoas esperam por dias, meses e até anos um telefonema com a seguinte frase: "Achamos um rim (ou pulmão/coração/pâncreas/fígado) pra você". Estudos já comprovaram: se falamos a nossos familiares sobre nosso desejo, a tendência é de que ele seja respeitado. É a famosa história do "último desejo" que precisa ser atendido, como bem lembrou em entrevista a médica pediatra Arlene Badoch, da Central Estadual de Transplantes. Posto isso, gostaríamos de saber: você já comunicou sua decisão a familiares? E o que leva uma família a dizer não? Você já passou por uma situação como essa? Compartilhe sua opinião e história!